Archive | Novembro 2011

Capítulo 0

Contar a história deste blog é também contar a história de como aqui cheguei e do que está prestes a acontecer.

Olhando alguns anos para trás considero que a experiência de largos anos como escuteira foi sem dúvida marcante, não só pelos valores que se enraizaram ainda mais, mas por esta e aquela actividade que tinham uma acção na comunidade. Depois os anos foram passando, e já fora do CNE, passou a Universidade, o estágio, e veio a vida no Porto com trabalho, o rendimento fixo e algum tempo livre para me dedicar a projectos que até então estavam em segundo plano.

Um deles era uma vontade imensa que tinha em ser voluntária. Primeiro inscrevi-me na Acreditar, à qual somei o contacto com os sem-abrigo e depois a ATACA, entre outras aqui e ali. Todos eles importantes e que me permitiram cruzar e conhecer pessoas fantásticas que muito admiro.

Daqui foi nascendo o bichinho de querer fazer mais e mais e surgiu o momento em que me apercebi que tinha a minha vida voltada de pernas para o ar: passava o dia no trabalho à secretária a fazer algo, que sim gostava, mas que não era algo que fosse verdadeiramente útil nem contribuía para algo fundamental ou essencial para a vida de alguém, não havia sequer uma vertente humana; e nas horas vagas, os dias de voluntariado, e fazendo o melhor que podia, tive contacto com o que realmente vale a pena e me fazia sentir mais realizada – poderia eu inverter a situação?

Poderia. Comecei a pesquisar informação, contactar com diversas associações e ONG’s, a fazer workshops na ânsia de que alguém pudesse abrir uma brecha de uma porta. Até que depois de vários nãos, muitos e muitos meses, num caminho que parecia não ter fim, uma porta se abriu em pleno!

E agora cá estou eu, a contar os dias que faltam para rumar até à Beira, em Moçambique, num projecto em que me posso dedicar por inteiro a uma causa.

 

Aqui estarei à tua beira: família, amigos, conhecidos ou simples curiosos que queiram seguir um pouco das minhas andanças.

Espero, ainda, que estes textos tenham o efeito que o contacto com algumas pessoas, projectos ou pequenas coisas, por mais simples que sejam, foram tendo em mim: o alimentar do sonho, o fortalecer e amadurecer de uma ideia que vai sendo minada por milhentas coisas que estão à nossa volta. Muitos nos vão questionar e nunca irão compreender-nos, mas como diz aquela frase dita por muitos “vale mesmo a pena remar contra a corrente”!

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